cIndOp: o indicador de local da operação do IBS/CBS explicado (com a tabela oficial)
O que é o cIndOp, onde ele entra no XML da NF-e e da NFS-e, e a tabela oficial dos 39 códigos com local do fornecimento e artigo da LC 214/2025.
Quem acompanha a reforma tributária já decorou que o IBS e a CBS são tributos de destino. O que aparece menos é a pergunta prática que vem logo depois: onde, exatamente, a operação acontece? Numa venda com retirada na loja, o destino é o estabelecimento do fornecedor. Na mesma venda com entrega, é o endereço do adquirente. Em um serviço prestado sobre um imóvel, é o imóvel — não o escritório de quem presta.
Essa pergunta tem um campo próprio no documento fiscal: o cIndOp.
O que o código faz
O cIndOp — Código Indicador da Operação — tem seis dígitos e declara em qual hipótese legal a operação se enquadra para efeito de local. Cada código amarra três coisas:
- o tipo de operação (bem móvel material, serviço sobre bem imóvel, transporte de carga…);
- a característica do fornecimento (presencial com retirada no estabelecimento, não presencial com entrega em endereço fornecido, licitação de bem apreendido…);
- o local do fornecimento que deve ser identificado no documento fiscal.
E cada um cita o inciso do art. 11 da LC 214/2025 que fundamenta aquela hipótese. Não é classificação editorial: é a lei transformada em código.
Onde ele entra no arquivo
Na NF-e, o campo é o cIndOp. O leiaute oficial o descreve como “Código indicador do local da operação de fornecimento”, com seis dígitos e preenchimento opcional no schema. Na NFS-e Nacional, o mesmo código entra pelo grupo IBSCBS da DPS.
O Anexo VII traz duas colunas — indNFe e indNFSe — dizendo em qual documento cada código é esperado. E aqui vale uma observação honesta sobre a fonte: 13 dos 39 códigos não estão marcados em nenhuma das duas. Ausência de marcação não é proibição; é ausência de declaração. Preferimos mostrar a lacuna a preenchê-la por conta própria.
Os tipos de operação
Os 39 códigos se organizam em 24 tipos. O maior grupo é o de bem móvel material, com seis hipóteses que mudam conforme o fornecimento:
| cIndOp | Característica do fornecimento | Local do fornecimento |
|---|---|---|
| 010101 | Presencial, com retirada no estabelecimento do fornecedor | Estabelecimento do fornecedor |
| 010102 | Presencial, com retirada fora do estabelecimento | Local da realização da operação e da retirada |
| 010103 | Não presencial, com entrega em endereço fornecido | Endereço do destinatário indicado para entrega |
| 010104 | Licitação de bem apreendido ou abandonado | Local onde se encontra o bem |
| 010105 | Constatação de irregularidade por falta de documento | Local onde se encontra o bem |
| 010106 | Locação de bem móvel em aquisições específicas | Domicílio principal do adquirente |
Repare que a diferença entre 010101 e 010103 não é o produto — é o modo de entrega. O mesmo item, na mesma empresa, muda de indicador (e de destino da receita) conforme o cliente retira na loja ou pede para entregar.
Os demais tipos cobrem serviços prestados fisicamente sobre bem imóvel, sobre bem móvel material ou sobre a pessoa, transporte de carga e de passageiros, telefonia fixa e comunicação, cessão de espaço para publicidade, abastecimento de água, gás canalizado e energia elétrica, transporte dutoviário de gás natural, além das categorias residuais de “demais bens” e “demais serviços” em operações onerosas.
cIndOp × cClassTrib: perguntas diferentes
É a confusão mais comum, e vale separar de uma vez:
| Campo | Responde | Erro produz |
|---|---|---|
| cClassTrib | Como a operação é tributada — qual regra da LC 214 se aplica | Alíquota, redução ou benefício errados |
| cIndOp | Onde a operação se considera realizada | Receita distribuída ao ente errado |
Uma nota pode ter o cClassTrib impecável e o cIndOp errado: o valor do tributo sai certo e a repartição federativa, não. São camadas independentes do mesmo grupo IBSCBS.
Como achar o código do seu serviço
A correlação oficial do Anexo VIII liga cada item da NBS aos indicadores admitidos para aquele serviço — e é validada contra a API de produção da Calculadora RTC da Receita Federal. Dois caminhos:
- Partindo do serviço: abra a ficha da NBS e veja a seção de indicador de operação, que já traz os códigos admitidos junto com o CST e o cClassTrib;
- Partindo do código: abra a ficha do indicador e veja os serviços que o admitem, o local do fornecimento e a base legal.
Quando a correlação não aponta um indicador específico, o código depende da natureza concreta da operação — e aí a leitura do art. 11 é inevitável.
Antes de transmitir
O grupo IBSCBS tem várias validações próprias, e o indicador de operação é só uma delas. Vale conferir o arquivo inteiro antes de mandar:
- validador de XML — confere o grupo IBSCBS contra as regras da NT 2025.002;
- conferidor CST × cClassTrib — o par mais rejeitado da série 1000;
- rejeições da reforma — a série 1000+ organizada pela causa.
O cIndOp é um campo entre outros
No arquivo da NFS-e o cIndOp convive com dezenas de outros campos, e vários deles existem só no anexo do leiaute do IBS/CBS, não no leiaute da DPS em uso. A lista de campos do XML da NFS-e separa os dois mundos, campo a campo.
Por onde seguir
Se o que você precisa é decidir em qual município o ISS é devido, o caminho é o código de tributação nacional, que carrega essa regra. Se a dúvida é qual item da lei descreve o seu serviço, comece pelo guia da lista da LC 116. E se a nota já voltou com código de erro, a ficha de cada erro da NFS-e traz a regra oficial que disparou; quando a mensagem é de esquema, sem campo nenhum, o guia de falha no schema XML mostra como achar o campo.
Fontes oficiais
- Lei Complementar nº 214/2025 — art. 11, local da operação (Planalto)
- Anexo VII v1.02.00 — Indicadores de Operação do IBS/CBS (Portal Nacional da NFS-e)
- Anexo VIII — correlação NBS × cIndOp × cClassTrib (Portal Nacional da NFS-e)
A tabela publicada aqui sai direto da planilha oficial e é conferida contra o catálogo do Anexo VIII a cada atualização.