Rejeições da NF-e e erros da NFS-e: do código à causa (e à solução)
Rejeições cStat da NF-e (204, 539, 1115…) com a regra que dispara cada uma, a série 1000+ do IBS/CBS e os erros da NFS-e com a solução oficial.
Toda rotina de faturamento tem seu momento de tela vermelha: a SEFAZ devolve um código de 3 dígitos e a emissão para. A diferença entre perder 5 minutos e perder a manhã é saber o que aquele código verifica — porque toda rejeição nasce de uma regra de validação documentada.
Este guia organiza os dois mundos do erro fiscal eletrônico — a NF-e (mercadorias, códigos cStat) e a NFS-e (serviços, códigos E/A do padrão ABRASF) — e apresenta as duas tabelas completas do Buscador: rejeições da NF-e e erros da NFS-e.
NF-e: o cStat e a regra por trás dele
Quando o lote chega à SEFAZ, o autorizador roda uma bateria de regras de validação — do certificado digital ao recálculo dos totais, passando por cadastro, prazos e os campos de tributação. Cada regra que falha devolve um cStat: 1xx é sucesso (100 = autorizada), o resto é rejeição.
O MOC — Manual de Orientação do Contribuinte documenta as duas pontas: a tabela de códigos e as regras. A nossa tabela de rejeições junta as duas — são mais de 1.000 códigos, e na maioria a ficha mostra a verificação exata (campo do XML, consulta, cálculo) que disparou o erro. Validamos os motivos contra o Anexo I oficial do MOC 7.0 e as Notas Técnicas posteriores.
A série 1000+: as rejeições da Reforma Tributária (só a 1115 está suspensa)
A NT 2025.002 criou um bloco inteiro de códigos novos — a série 1000 a 1272 — pra validar o grupo IBS/CBS, que é obrigatório desde 03/08/2026 pros emitentes do regime normal (CRT 3). Essa obrigação não foi adiada: o que a NT 2025.002-RTC v1.51 suspendeu, sem nova data, é a rejeição pela ausência do grupo. O ponto de entrada é a 1115 — IBS/CBS não informado, hoje suspensa — a nota sem o grupo passa, mas segue em desacordo com a legislação. Em volta dela orbitam as rejeições de classificação (1020 — CST inexistente, 1023 — cClassTrib inexistente, 1024 — cClassTrib incompatível com o CST), de redução de alíquota (1028, 1032, 1034), de aritmética por item (1041, 1052, 1069) e dos totalizadores (1076, 1085, 1091) — divergência de um centavo rejeita a nota inteira.
Três ferramentas atacam isso antes da transmissão: o validador de XML confere grupo, pares e totais no navegador (a nota não sai do seu computador), o conferidor CST × cClassTrib valida o par contra a tabela oficial, e a ficha de cada NCM mostra o cClassTrib de referência do produto.
As que mais aparecem no suporte
- 204 — Duplicidade de NF-e: a nota já foi autorizada; recupere o retorno em vez de reenviar;
- 539 — Duplicidade com diferença na chave: mesmo número/série com outro código numérico — reaproveite a chave original;
- 215 — Falha no schema XML e 225, a mesma falha no lote: a estrutura do arquivo não bate com o esquema oficial, e a mensagem não diz o campo. O guia de falha no schema XML mostra como ler o texto longo do validador;
- 280 e 281 — certificado: transmissor inválido ou vencido;
- Cadastro (203, 301, 302…): emitente ou destinatário irregular na SEFAZ de destino.
Rejeições de tributação: o cruzamento é a causa
Um bloco inteiro de rejeições nasce de incoerência entre códigos — CFOP incompatível com a operação, CST que não combina, NCM inexistente (778), CEST ausente, cBenef que não casa com o CST na UF. É exatamente o cruzamento que o Buscador resolve: o assistente CFOP + CST monta o conjunto correlacionado, a ficha de cada NCM confirma o código, e a tabela cBenef mostra os CSTs compatíveis por UF antes de a SEFAZ reclamar.
NFS-e: os erros E do padrão ABRASF
No mundo dos serviços a validação é municipal. Nos municípios do padrão ABRASF, o RPS recusado volta com um código E (erro, trava a conversão) ou A (alerta, não trava) — e a própria ABRASF publica a planilha oficial com mensagem, motivo e solução de cada um.
A tabela de erros da NFS-e traz os 354 erros e 30 alertas da versão 2.04 com esse texto oficial, organizados por assunto: RPS, tomador, prestador, ISS e tributação, cancelamento e substituição — e também as 441 rejeições da NFS-e Nacional (gov.br, usada pelo MEI e em adesões municipais), com a regra de negócio que dispara cada código de 4 dígitos. O guia dos erros da NFS-e organiza os dois padrões e o método de correção.
O método de 3 passos pra qualquer erro
- Ache a ficha do código — NF-e ou NFS-e — e leia o motivo OFICIAL (não a paráfrase do ERP);
- Leia a regra/solução — na NF-e, a verificação que a SEFAZ executou; na NFS-e, a solução da ABRASF;
- Corrija na origem — cadastro do produto (NCM, CEST), conjunto CFOP + CST, cBenef, certificado ou cadastro — e só então retransmita.
Erro de emissão é sintoma; a causa quase sempre mora numa tabela. Agora todas elas estão a um clique da ficha do erro.
Do outro lado, a nota de serviço rejeita diferente
A NF-e rejeita com cStat numérico; a NFS-e Nacional rejeita com códigos que começam em E e têm quatro dígitos, e a regra que dispara cada um vem dos anexos da documentação técnica. Depois de emitida, a NFS-e ainda tem um catálogo à parte: o dos eventos — cancelamento, substituição, manifestação — com códigos próprios e uma matriz que decide se o pedido é aceito.