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Reforma Tributária

Os 18 documentos fiscais eletrônicos da reforma: modelo, prazo e rejeições

CT-e, MDF-e, BP-e, NF3e, NFCom, NFGas, NFAg, NF-e ABI e DeRE: o modelo de cada um, o prazo de IBS/CBS pelo Ato Conjunto nº 4 e onde ver as rejeições.

Pessoa no caixa emitindo cupom fiscal — a NFC-e, modelo 65, é um dos dezoito documentos fiscais eletrônicos

A NF-e é o documento fiscal eletrônico que todo mundo conhece. Mas ela é um entre dezoito — e a reforma tributária mexeu em todos ao mesmo tempo.

Quem emite só nota de mercadoria talvez nunca precise dos outros. Quem trabalha com transporte, energia, telecomunicações, gás, água, passagem ou imóvel convive com dois, três, às vezes cinco documentos diferentes — cada um com leiaute próprio, tabela de rejeição própria e uma data própria para começar a exigir IBS e CBS.

Este guia amarra os dezoito: o modelo de cada um, quando o grupo de IBS/CBS passou (ou vai passar) a ser obrigatório, e onde consultar a rejeição quando ela chega.

Catálogo completo dos documentos, com leiaute, eventos e tabelas de cada um: Documentos Fiscais Eletrônicos.

O que decide qual documento você emite

Não é o tipo de empresa — é o tipo de operação. Uma transportadora que também vende peças emite CT-e para o frete e NF-e para a peça. Uma distribuidora de energia emite NF3e para o fornecimento e NF-e quando vende um transformador.

O documento é escolhido pela operação, e o modelo é o número de dois dígitos que identifica cada tipo — 55 para a NF-e, 57 para o CT-e, e assim por diante. Nos documentos autorizados pela SEFAZ o modelo entra na composição da chave de acesso. ⚠ A NFS-e é a exceção: a chave dela tem outra estrutura e outro tamanho, e ela não usa modelo no mesmo sentido.

Os 18 documentos e a data de cada um

O prazo sai do art. 1º do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026. Cada inciso trata de um documento, e as datas não são iguais:

IncisoDocumentoModeloIBS/CBS obrigatório
INF-e — Nota Fiscal Eletrônica5503/08/2026
IINFC-e — Nota Fiscal de Consumidor6503/08/2026
IIINFS-e — Nota Fiscal de Serviços8 hipóteses escalonadas
IVCT-e — Conhecimento de Transporte5703/08/2026
VCT-e OS — CT-e para Outros Serviços6703/08/2026
VIBP-e — Bilhete de Passagem633 hipóteses
VIIMDF-e — Manifesto de Documentos Fiscais5803/08/2026
VIIIGTV-e — Guia de Transporte de Valores6403/08/2026
IXNF3e — Nota Fiscal de Energia Elétrica6603/08/2026
XNFCom — Serviços de Comunicação6201/10/2026
XINFGas — Nota Fiscal do Gás7601/12/2026
XIIDC-e — Declaração de Conteúdo9903/08/2026
XIIINFS-Via — NFS-e de exploração de rodovia03/08/2026
XIVDuimp — Declaração Única de Importação01/01/2027
XVDIR — Declaração de Importação de Remessa01/10/2026
XVINFAg — Água e Saneamento7501/12/2026
XVIIDeRE — Declaração de Regimes Específicos3 degraus
XVIIINF-e ABI — Alienação de Bens Imóveis7701/12/2026

Onze começaram no mesmo dia — 03/08/2026. Os outros sete se espalham até janeiro de 2027, e três deles (NFS-e, BP-e e DeRE) não têm uma data só: têm hipóteses, cada uma com prazo próprio. Ver o cronograma completo com as hipóteses.

Três documentos que existem por causa da reforma

Nem todos os dezoito são antigos. Três nasceram agora:

NF-e ABI (modelo 77) — alienação de bens imóveis. A venda de imóvel passou a ser fato gerador de IBS e CBS pela LC 214/2025, e não havia documento fiscal eletrônico para ela. O leiaute tem 282 campos e três eventos: cancelamento, pagamento de parcela e apropriação de créditos individuais.

NFAg (modelo 75) e NFGas (modelo 76) — água/saneamento e gás canalizado. Os dois substituem notas em papel que ainda circulavam nesses setores.

DeRE — a Declaração de Regimes Específicos. Ela é diferente das outras: não é nota fiscal, é declaração. Reúne o que não cabe no documento da operação — combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, bens imóveis, cooperativas. Por isso não tem modelo e não tem tabela de rejeição no mesmo formato.

O mesmo número de rejeição não quer dizer a mesma coisa

Esta é a armadilha que mais custa tempo de quem emite mais de um documento.

O cStat — o código que a SEFAZ devolve — é numerado por documento. O mesmo número existe em vários, com regras diferentes. Dos 1.097 códigos catalogados, 673 aparecem em mais de um documento, e 628 deles têm mensagem com núcleo diferente.

O caso mais didático é o cStat 227:

DocumentosO que o 227 significa
CT-e, CT-e OS, GTV-e, MDF-e, BP-e, NFCom, NF3e, NFGas, NFAgErro na composição do campo ID
DC-eCNPJ-base do órgão do Fisco difere do certificado digital
NF-e, NF-e ABICPF do emitente difere do CPF do certificado digital

Quem recebe “227” do emissor de CT-e, procura na internet e acha a resposta da NF-e vai conferir o certificado digital — quando o problema está na montagem do campo ID. São dois caminhos completamente diferentes para o mesmo número.

O cStat 205 é outro: em BP-e, NFCom, NF3e e NFGas é “emitente em situação irregular perante o Fisco”; na NF-e é “NF-e está denegada na base de dados da SEFAZ”.

Recebeu um código e não sabe de qual documento é? A tabela cruzada de cStat mostra o mesmo número em todos os documentos onde ele existe — são 673 códigos desambiguados.

Onde consultar a rejeição de cada documento

Cada documento tem a tabela oficial completa, com a mensagem, o efeito e o que fazer:

DocumentoRejeições catalogadas
CT-e323
NF3e282
NFCom264
BP-e257
NFGas226
NFAg203
NF-e ABI165
MDF-e129
CT-e OS127
DC-e97
GTV-e75
NFS-Via58

Para NF-e e NFS-e, as verticais são próprias: rejeições da NF-e e erros da NFS-e.

Os campos que a reforma acrescentou em todos

Independentemente do documento, o grupo de IBS/CBS trouxe três campos que antes não existiam:

cClassTrib — a Classificação Tributária. São 164 códigos, ligados aos 18 CST de IBS/CBS. A tabela é única para todos os documentos, mas cada código só é aceito em alguns deles — a matriz oficial da Calculadora de Tributos marca quais. Informar um cClassTrib num documento fora da lista gera rejeição.

cIndOp — o indicador de local da operação, que declara onde a operação se considera ocorrida. O IBS e a CBS são tributos de destino, e é este campo que resolve o destino.

cClass — a classificação de produtos e serviços dos documentos setoriais (NFCom, NF3e, NFGas, NFAg), que é outra tabela e não se confunde com o cClassTrib.

Antes de transmitir, o validador de XML confere o grupo de IBS/CBS contra o schema, e o conferidor CST × cClassTrib diz se o par que você montou é aceito.

Por onde começar

Se você emite um documento, vá direto ao hub dele na tabela acima — cada um tem o leiaute, os eventos e a tabela de rejeições.

Se emite vários, o caminho é o catálogo dos documentos: ele mostra os campos lado a lado e é onde a diferença entre eles aparece sem precisar abrir treze páginas.

E quando a rejeição chegar sem dizer de qual documento veio — que é o caso mais comum em ERP que emite mais de um —, comece pela tabela cruzada de cStat.

Fontes oficiais

Perguntas frequentes

O que é um DF-e?
DF-e é a sigla de Documento Fiscal eletrônico: o arquivo XML que substitui o documento em papel e é autorizado pela SEFAZ antes da operação acontecer. A NF-e é o mais conhecido, mas existem 18 no cronograma da reforma tributária — cada um para um tipo de operação: transporte de carga, passagem de ônibus, energia elétrica, gás canalizado, água e saneamento, telecomunicações, alienação de imóvel, entre outros.
Quantos documentos fiscais eletrônicos passam a exigir IBS e CBS?
São 18, listados no art. 1º do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026, cada um com uma data própria. Onze começaram em 03/08/2026 — NF-e, NFC-e, CT-e, CT-e OS, MDF-e, GTV-e, NF3e, DC-e e a NFS-e de exploração de rodovia. NFCom e a Declaração de Importação de Remessa entram em 01/10/2026; NFGas, NFAg e NF-e ABI em 01/12/2026; a Duimp em 01/01/2027. NFS-e, BP-e e DeRE têm hipóteses escalonadas.
Qual é o modelo de cada documento fiscal eletrônico?
NF-e é modelo 55, NFC-e 65, CT-e 57, MDF-e 58, NFCom 62, BP-e 63, GTV-e 64, NF3e 66, CT-e OS 67, NFAg 75, NFGas 76, NF-e ABI 77 e DC-e 99. O modelo é o número que identifica o tipo de documento e entra na composição da chave de acesso dos documentos autorizados pela SEFAZ. A NFS-e e a DeRE não aparecem nessa lista porque não usam modelo no mesmo sentido — a NFS-e tem chave própria, de estrutura diferente, e a DeRE é declaração, não nota.
O mesmo código de rejeição significa a mesma coisa em todos os documentos?
Não. O cStat é numerado por documento, e o mesmo número costuma ter regra diferente em cada um. O cStat 227, por exemplo, é 'erro na composição do campo ID' no CT-e, MDF-e, BP-e e NFCom; na DC-e é 'CNPJ-base do órgão do Fisco difere do certificado digital'; e na NF-e e na NF-e ABI é 'CPF do emitente difere do CPF do certificado digital'. De 673 códigos que existem em mais de um documento, 628 têm mensagem com núcleo diferente.
O que é a DeRE?
A Declaração de Regimes Específicos é o documento que reúne as informações de IBS e CBS que não cabem na nota — combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, bens imóveis, cooperativas e os demais regimes específicos da LC 214/2025. Ela não tem modelo porque não é uma nota fiscal: é uma declaração. A obrigatoriedade vem em três degraus, pelo inciso XVII do Ato Conjunto nº 4.
Onde consulto as rejeições de um documento específico?
Cada documento tem a tabela própria no Buscador NCM: CT-e, MDF-e, BP-e, NF3e, NFCom, NFGas, NFAg, NF-e ABI, DC-e, GTV-e, CT-e OS e NFS-Via. E quando o mesmo número existe em mais de um documento, a página cStat mostra os dois lados.
O cClassTrib é o mesmo em todos os documentos?
A tabela de Classificação Tributária do IBS e da CBS é única — são 164 códigos, ligados aos 18 CST de IBS/CBS. O que muda é em quais documentos cada código é aceito: a matriz oficial da Calculadora de Tributos marca, por código, os documentos em que ele pode ser informado. Informar um cClassTrib num documento fora dessa lista gera rejeição.
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